18/07/2018

A aula de jornalismo de Geneton Moraes Neto

geneton_jornalismo2.jpg Entrevistei Joel Silveira – o maior repórter brasileiro – pouco antes de ele morrer. Na ocasião ele elegeu um sucessor: Geneton Moraes Neto. Joel me disse: “Para mim, hoje ele é o maior repórter do Brasil”. Resolvi, então, procurar o Geneton para um bate-papo e como sou jornalista “foca”, gostaria de ouvir o que ele tem para contar e ensinar. A entrevista foi realizada na redação do Fantástico, na sede de jornalismo da Globo, no Jardim Botânico.

E lá fomos nós, eu e a Cris Camargo (que fez as fotos e transcreveu a entrevista). Ao entrar na sala, Geneton rindo e conversando sobre a rotina da redação, cuidadosamente organizou as edições dos jornais do dia espalhadas pela mesa e, estrategicamente, deixou a edição do O Globo em cima das edições da Folha de S.Paulo e do Estadão.

A entrevista transcorria muito bem quando o repórter Vinicius Donola, entra na sala e interrompe a entrevista. Donola entrega para Geneton uma cartinha, escrita com letra de criança e em papel amassado. Ele disse que havia encontrada a cartinha perdida na gaveta de casa. Dizia assim: “Mamãe, quando eu crescer, eu quero ser igual ao Geneton. Assinado Vinicius. Data: 1979”. Geneton leu e riu da brincadeira e comentou que esta era uma brincadeira comum que ambos faziam um com o outro. Dobrou o bilhetinho e guardou no bolso.

O bate-papo rendeu três horas e meia. Seria impossível transcrever toda essa entrevista. O material é resultado dessas horas. Ele foi resumido e foi dividido em quatro temas: Jornalismo, Política, Joel Silveira e Curiosidades

GENETON: “SEM REPÓRTER NÃO EXISTE NOTÍCIA”

Pernambucano, nascido em Recife, Geneton começou a vida profissional como repórter, em 1972. Trabalha desde 1985 na Rede Globo, onde é o editor-chefe do Fantástico. Publicou oito livros de reportagens e entrevistas, entre eles: “Dossiê Brasília – Os segredos dos presidentes”, “Dossiê Moscou” e “Dossiê Drummond”. Geneton dedica também algumas horas do dia para atualizar seu blog Sopa de Tamanco e sua home page: http://www.geneton.com.br/

Primeira parte: JORNALISMO

Você afirma que a “única função realmente importante no jornalismo” é a reportagem. Por quê?

Geneton – Posso dar uma explicação pessoal e outra profissional. A pessoal é a seguinte: acho que as funções que a gente exerce no início da carreira terminam marcando a gente para o resto da vida. Eu comecei a trabalhar como repórter no Diário de Pernambuco, em 1972. Então, para mim, reportagem virou sinônimo de jornalismo. Sempre foi o fato de ir para a rua ouvir alguém ou ver alguma coisa e tentar escrever da melhor maneira possível. Em resumo, esta é a minha concepção de exercício do jornalismo. Também acho que a sorte que eu tive de conviver com grandes repórteres como Joel Silveira – que, aliás, dizia que se houvesse justiça na hierarquia interna dos jornais o repórter deveria vir antes do dono do jornal no expediente, porque sem repórter não existe notícia e, sem notícia não existe jornal. Para mim é uma questão de vocação e também uma questão biográfica o fato de ter iniciado meu trabalho com a reportagem e, desde então, passei a entender jornalismo como um sinônimo de reportagem.

O relatório anual divulgado pela organização Repórteres sem Fronteiras coloca o Brasil, no ranking da Liberdade de Imprensa na 75º posição, atrás de países como Burkina Faso e Botswana. Você acha que fazer jornalismo no Brasil é difícil? Aproveito para destacar que nem os Estados Unidos ficaram em boa colocação, ocupando a 56º colocação.

G – Eu acredito que essa posição desastrosa do Brasil se deva a casos de pressões exercidas, por exemplo, em jornais do interior pelo poder local, e esse é um fenômeno que existe até hoje no Brasil. Mas eu acho que a grande imprensa brasileira já ficou imune a esse tipo de pressão e de violência. Como o Brasil consegue ser vários países em um só – aqui a gente tem, por exemplo, a Quinta Avenida e o país mais atrasado da África num só país – faz com que essas disparidades possam ser explicadas pela subsistência deste Brasil arcaico e velho. Aliás, isso é uma boa pauta jornalística. Já pensei até em fazer isso da seguinte maneira: uma viagem pelo tempo no mapa do Brasil. Se você vai a um shopping nos Jardins, você está no século 22; mas, ao mesmo tempo, se pegar um avião e viajar por duas horas, poderá voltar para a Idade Média – e em outros lugares, até para a Idade da Pedra. Tudo num país só. Acho que daria um belo projeto jornalístico. Portanto, eu atribuo essa posição à resistência desse Brasil arcaico que envolve pressões contra jornalistas.

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A censura foi oficialmente extinta no Brasil. Isso é fato. Entretanto, hoje regularmente jornalistas são processados por pessoas insatisfeitas com as reportagens. No dia a dia das redações existem mecanismos de pressão que podem determinar a divulgação ou não de determinados fatos, e que inclusive são usados para pedir a demissão de jornalistas. Como lidar com isso?

G – Vou dizer uma coisa politicamente incorreta: em última instância, quem manda no jornal, na televisão ou na revista são, obviamente, os donos. Mas o poder dos jornalistas na redação não é desprezível, não. Alguns jornalistas talvez fiquem irritados quando se fala desse poder – em alguns casos quase tirânico – exercido pelos jornalistas dentro da redação sobre os assuntos que devem ou não ser oferecidos ao público. Isso vai desde as coisas mais banais até as mais importantes como, por exemplo: se o editor-chefe do Globo achar que Caetano Veloso é antipático provavelmente não vai publicar uma matéria. O que eu estou dizendo parece um absurdo, mas uma entrevista com Caetano Veloso provavelmente será vetada na capa do caderno cultural, nesse caso, por uma implicância pessoal. E isso você multiplica por dez.

Acho que as idiossincrasias pessoais dos jornalistas influenciam, e muito, na escolha do que vai ser dito ao público e de que maneira. Uma coisa que eu sempre tentei me proteger – e modéstia à parte, acho que consegui até hoje, depois de 35 anos de exercício de profissão – é, sob hipótese alguma, não deixar que gosto pessoal e, principalmente, tendência ideológica influenciem na escolha e na apresentação das notícias ao público. Eu tenho horror à manipulação política das coisas. Claro que a censura, durante o governo militar, cometeu violências inomináveis contra a atividade intelectual – e não estou nem falando aqui dos casos de tortura e assassinato como no caso de Vladimir Herzog, e sim da violência intelectual das pessoas. E acho que os jornalistas também cometem uma violência intelectual quando se deixam levar por suas preferências ideológicas. Sinto muito, mas é verdade.

E agora falando como leitor: hoje, mesmo 22 anos após o final do regime militar, acho que ainda subsistem algumas heranças nocivas da ditadura no Brasil. Por exemplo: um antiamericanismo em alguns casos quase infantilóide e uma hostilidade contra a riqueza. Acho que existe isso e, em alguns casos, por parte de jornalistas que se comportam como se o muro de Berlim ainda não tivesse acabado. Eu sinto muito, mas o muro de Berlim caiu! (risos) É engraçada essa imagem meio romântica do jornalismo, de que a gente está sempre vendo grandes acontecimentos, mas as cenas realmente inesquecíveis são raras. O dia-a-dia na redação às vezes é chato. Você pode ser obrigado a cobrir o turfe, por exemplo, que é uma coisa insuportável (risos). Mas me lembro de uma cena inesquecível e que foi histórica, já que a gente está falando sobre mudança de eras: ver o Mikhail Gorbachev entrar em uma sala para votar, no dia em que houve a primeira eleição para presidente na Rússia depois do fim da União Soviética, em 1996.

Isso inclusive está no livro que você lançou, “Dossiê Moscou”…

G – Quando eu faço qualquer coisa, tenho a saudável pretensão de produzir informação a curto prazo e memória a longo prazo. Eu acho que cada um precisa criar – e vou dizer aqui algo que vai soar como livro de auto-ajuda – uma lenda pessoal. A mitologia que criei para mim, como jornalista, é esta pretensão de produzir coisas que possam criar memória; que possam ser consultadas a longo prazo. Foi o que eu fiz com “Dossiê Moscou”. Tudo isso para dizer o seguinte: que ali, pela primeira vez na história, havia um ex-líder soviético participando de uma eleição direta para presidente.

E ele nem ganhou…

G – A performance dele foi péssima. Mas aquele foi um momento simbólico de mudança. E aqui no Brasil, em alguns momentos, parece que o muro de Berlim não caiu ainda. Você vê esse sentimento infantil de hostilidade gratuita contra tudo o que for ocidental, americano, europeu… Isso eu acho um absurdo, e o jornalista não deve se deixar contaminar por esta doença infantil.

A cada dia os conglomerados de comunicação crescem cada vez mais. Cito, por exemplo, o caso do tradicional periódico Wall Street Journal, vendido ao magnata Rupert Murdoch. Ele domina boa parte dos veículos de comunicação do mundo. Os repórteres do WSJ, inclusive, disseram em uma matéria publicada pela AFP que temem em perder a isenção com a venda para Murdoch. Como fazer um bom jornalismo hoje em dia quando os donos dos meios de comunicação pensam empresarialmente em detrimento do bom jornalismo?

G – Eu não acho que necessariamente seja em detrimento de um bom jornalismo. A discussão que o Wall Street Journal fez sobre a venda do próprio jornal foi até um sintoma invejável de liberdade editorial, ao levantarem dúvidas sobre se o jornal continuaria isento. Mas hoje a impressão que a gente tem é de estar no meio de uma revolução tecnológica, uma revolução da informação que a gente ainda não tem idéia de onde vai parar. Então, o que é que aconteceu hoje? Os modelos, por exemplo, de rede de televisão – aquela única emissora emitindo a mesma programação para milhões de pessoas ao mesmo tempo – são modelos que estão começando a acabar. Hoje a geração mais nova, por exemplo, vê televisão via internet, e a tendência é cada vez mais o leitor ou o telespectador é ler e/ou ver o que quiser, a hora que quiser. É uma mudança drástica neste modelo que existia antigamente.

E existe principalmente um outro fenômeno: qualquer pessoa hoje – e nem precisa ser jornalista – pode ser um emissor de informação. Acho que isso dessacralizou completamente o jornalismo. Qualquer pessoa que abrir um blog agora, ou daqui a 15 minutos, e colocar lá uma notícia verdadeira ou falsa, ela poderá ser consultada daqui a 5 minutos em Hong Kong. E se caiu na rede, vai ser consultado via Google. Isso quebra totalmente a hierarquia tradicional da informação e, principalmente, dessacraliza o trabalho do jornalista. A impressão que a gente tem, às vezes, é a de estar a bordo de um Titanic que representa esse modelo antigo – empresarial, inclusive – que começou a naufragar e a gente não sabe como vai terminar esse naufrágio. Por enquanto a banda continua tocando – a orquestra, como no Titanic – , e a gente não sabe para onde esse naufrágio pode nos levar. Pode até ter uma conseqüência boa, né? Mas o fato é que hoje já existe uma revolução drástica em andamento no modelo de oferta de informação ao público.

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Existe alguma reportagem que você tenha feito que por algum motivo não tenha sido publicada? Existe alguma reportagem que você gostaria de ter feito e não fez?

G – Sempre tem. Eu digo, brincando, que um dos riscos que o jornalista corre depois de um certo tempo de exercício na profissão é o seguinte: de tanto lidar com o extraordinário, com o incomum, ele corre o risco de um dia cair na tentação de achar que nada é notícia; que nada mais é incomum ou extraordinário e nada interessa. Já virou até folclore nas redações a figura do “derrubador de matérias”. Acho um absurdo aquele dinossauro que passa o resto da vida bombardeando o que os repórteres fazem. Coitados! Os repórteres chegam da rua com o entusiasmo da notícia e tem sempre um jornalista entediado que vai dizer que aquilo não é notícia porque já saiu em outro lugar.

Tento criar uma proteção em torno de mim para não ser contaminado por essa doença que eu até batizei, brincando, de “síndrome da frigidez editorial” porque é uma coisa que acomete os jornalistas antigos. Acho que vou até registrar essa doença na Organização Mundial de Saúde para ser catalogada (risos). Porque isso existe, mesmo. Não é exagero não. E eu cansei de ver um outro pecado de jornalista: o que faz jornal, programa de TV e programa de rádio para jornalista. É um dos pecados mortais da profissão. Você participar de uma reunião de pauta, um repórter sugerir um assunto obviamente interessante e aparece alguém e diz “ah, não vamos fazer essa matéria porque o Caderno 2 do jornal lá do interior publicou dez linhas sobre isso”. Então derruba um assunto. O jornalista parte do pressuposto absurdo de que o leitor é tão fanático quanto ele e vai ler todos os jornais e revistas e comparar um com o outro. Isso é uma idiotice! Quem pensa deste jeito, eu acho que, sinceramente, devia mudar de profissão e estudar para Arquitetura ou Medicina. Existem profissões que são muito mais úteis para a humanidade do que o jornalismo – eu reconheço isso. Às vezes fico pensando: “meu Deus, a esta altura é tarde para fazer outra coisa”, mas quando você compara o jornalismo com outras profissões, às vezes me dá um certo complexo de inferioridade, porque existem profissões mais úteis.

Mas dificilmente haverá profissões tão divertidas quanto o jornalismo porque, na prática, às vezes quando me vejo diante de uma personalidade, sei que jamais teria a chance de entrevistá-lo, ou de ver uma cena histórica como a do Gorbachev, ou entrar num presídio de segurança máxima nos EUA, como já entrei, ou entrevistar um astronauta que já pisou na lua, se não estivesse exercendo o jornalismo. Alguém já disse que jornalista é um especialista em generalidades – sabe um pouco sobre tudo mas não sabe profundamente sobre nada. É isso: eu acho que é um “curso” divertido de generalidades, onde você é seu próprio professor.

Qual seria a grande virtude de um bom jornalista?

G – Eu acho que a primeiríssima é não perder a capacidade de se espantar diante dos fatos, e não se deixar contaminar pelo tédio e pela tal “frigidez editorial”. Eu tento manter a primeira; essa capacidade de se espantar, de ver as coisas com os olhos de uma criança descobrindo as coisas pela primeira vez. As coisas que você vê, com certeza serão novidade para alguém que vai ler aquilo. O importante é o jornalista não brigar com a notícia. Tratar a notícia com reverência. Isso é uma das dez mil lições que aprendi na convivência com Joel [Silveira]. É como um crente a entrar no Vaticano. Você se sentir pequeno, olhar para o teto do Vaticano e se sentir minúsculo. É meio como a atitude do repórter diante da notícia: não brigar com ela, mas reverenciá-la, de preferência.

Baseado em sua experiência jornalística na grande imprensa, que dicas você daria para quem está ingressando agora no jornalismo?

geneton_politica1.jpgG – Dificilmente haverá outra profissão em que exista tanto sentimento e que você passe com tanta rapidez da euforia ao desânimo, em tão pouco tempo. Num dia você diz “estou fazendo a melhor profissão do mundo” e, no dia seguinte, você pergunta “meu Deus do céu, por que eu não fui fazer outra coisa?” (risos). É muito fugaz essa coisa do jornalismo. Aquela “glória”, entre aspas, do jornalismo dura minutos. Se durar um dia você já pode acender uma vela (risos). Aquele furo de reportagem que você pensa que vai mudar o mundo, derrubar um papa, um presidente da República, aquilo tudo desaparece em 15 segundos. Televisão, então, é o tempo da pessoa comer uma pizza, ir à cozinha beber água, e o trabalho que você demorou, às vezes, semanas para fazer, literalmente se evapora no ar.

Então acho que você tem de resistir a esse sentimento de, às vezes, inutilidade, e não se deixar contaminar por ele. E, principalmente, manter a curiosidade. Isso parece óbvio, mas existem jornalistas que não são curiosos, que parecem meio entediados, não querem saber, não se interessam, se previnem contra a riqueza dos assuntos e da vida. Eu acho que é até uma atitude de vida – não apenas jornalística, mas existencial também – você achar que vai sempre descobrir alguma novidade, e contar aquilo que você vê de uma maneira interessante para alguém e influenciar a maneira de outra pessoa ver o mundo. Mas sem pretensão, pois jornalista é um bicho notoriamente pretensioso. Tem uma frase do Evandro Carlos de Andrade, que foi diretor de jornalismo aqui da TV Globo: ele dizia que se Deus entrasse na redação do Jornal Nacional iria se sentir humilhado (risos). Ele dizia isso, obviamente brincando, para ilustrar essa vaidade exagerada dos jornalistas e a noção de que é mais importante do que é na verdade.

Não sei se foi no seu blog “Sopa de Tamanco” que eu li aquela história de que o jornalista está na redação, quando o chefe chega e diz: “Deus vai chegar na Terra. Faça uma matéria sobre ele!”. E o jornalista pergunta: “Contra ou a favor?”…

G – Não, não foi no meu blog. Mas tem uma história onde um jornalista vira pro outro e pergunta: “Você pode me dizer o que eu penso sobre esse assunto, por favor?” antes de escrever o artigo (risos). Esse é o lado mais folclórico da redação. É possível fazer uma enciclopédia sobre isso. O Joel contava que um dia ele estava concentrado, batendo à máquina na redação de um jornal, com aquele ar grave, achando que iria mudar a história da humanidade, e o Nelson Rodrigues parou na frente dele, com aquele cigarro no canto da boca, ficou olhando sem dizer nada, virou-se e, quando Joel levantou os olhos, Nelson falou: “Patético!”. E foi embora. Eu sempre tento me guiar por isso para sempre ter a noção de que a gente é um pouco patético, mesmo, mas continua datilografando, sem problema.

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Como surgiu a idéia de fazer o blog Sopa de Tamanco? Como está sendo esta experiência de escrever para um blog?

G – Para dizer a verdade eu fui até um retardatário nesta coisa de Internet. Primeiro criei um site, o geneton.com.br, para juntar textos que estavam esparsos. Alguns tinham sido publicados em livros, outros eu tinha guardados em casa, então eu quis juntar tudo num lugar. Até tive dúvidas se valia a pena, mas hoje estou achando que vale, só por um motivo: a minha principal atividade é mesmo fazer entrevistas e lá estão disponíveis hoje algumas entrevistas que, de outra maneira, poderiam estar perdidas ou trancadas no centro de documentação de um jornal. Se você der uma busca no Google por “Paulo Francis” ou “Ivan Lessa”, “Mino Carta”, “Joel Silveira” ou vários outros, você vai cair no meu site. Nem sei por quais mecanismos. Não sei se é por antigüidade, afinal já faz quase três anos que estão lá, mas em alguns casos aparecem até mesmo na primeira página de resultados do Google. Então é só por isso que eu mantenho lá: porque se alguém estiver interessado em conhecer esses personagens…

Eu não uso aquele blog para falar de coisas pessoais. Não escrevo aqueles diários públicos que, geralmente, as pessoas fazem na Internet. São entrevistas e reportagens. E o Sopa de Tamanco surgiu meio como uma brincadeira. A gente estava conversando aqui, no corredor, com Tony Marques, editor do Fantástico, e falamos de uma briga. Aí ele usou essa gíria que eu nem conhecia, e que é gíria de lutador de luta livre: “Ah, isso é sopa de tamanco, é pau puro!”. E eu disse: “Então vamos criar um blog com esse nome, que é bom, só para falar mal”. Diferentemente do geneton.com.br que tem só entrevistas, a idéia do blog é falar mal de todo mundo. Às vezes fico espantado quando ele é citado em outros blogs e tem uns picos de visitação, chegando a mil por dia. Acho muito, porque hoje existe esse fenômeno das nanoaudiências.

A tendência, hoje, são audiências minúsculas, divididas, repartidas em milhões de pequenas partículas, e é o que se chama de nanoaudiência. Os blogs são pequenas audiências. Milhões de blogs e todos eles tendo pequenas audiências, ao contrário de antigamente quando era apenas uma pessoa falando para milhões ao mesmo tempo. Então achei bom ter mil visitas, mas temos altos e baixos. Eu fiquei na dúvida também sobre o quanto valeria a pena, mas resolvi esquecer esse lado. Eu disse: “Sabe de uma coisa? Tem gente que faz peça de teatro para uma ou duas pessoas. Por que a gente não pode escrever para uma ou duas pessoas também? Então vamos continuar”.

No meu delírio, fico imaginando um teatro (risos). Aí alguém me diz: “Tem trezentas pessoas” e eu fico imaginando “meu Deus do céu, eu jamais subiria num palco na frente de trezentas pessoas para falar, pois sou um péssimo orador”. Mas escrever para 300 pessoas lerem, para mim está ótimo. Não tenho esses delírios megalomaníacos de ficar imaginando que o Brasil inteiro vai ler as bobagens que a gente escreve. A gente tem feito aquela brincadeira “Quem continua solto?” – de vez em quando eu pergunto “Fulano de tal continua solto?”, “o Senado continua solto?”. Até já esgotei um pouco a lista de todas as implicâncias que a gente tem. Tenho que renovar um pouco a lista.

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