14/12/2017

A morte de Lemmy Kilmister e o vazio que ele deixa no metal

Por Felipe Branco Cruz

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Miniatura do Lemmy à venda na Comic Con

O vocalista do Motörhead, Lemmy Kilmister, morreu aos 70 anos nesta segunda-feira (28) e lá se foram todas as esperanças que eu alimentei durante muitos anos em conhecê-lo pessoalmente. Sim, eu tinha essa esperança porque Lemmy era o tipo de cara que qualquer um gostaria de ter como amigo de bar. Ele era simples, humilde e não dispensava um Jack Daniels. Se serve de consolo, pelo menos um show dele eu consegui assistir, em 2011, no Rock in Rio.

Após a morte de Lemmy, os integrantes remanescentes do Motörhead divulgaram que a banda acabou. Uma declaração forte, porém verdadeira, pois não há Motörhead sem Lemmy. A banda está entre as minhas favoritas. Eu até tenho uma camiseta do Motörhead. Digo isso, porque para mim, usar camiseta de banda é um troço muito sério. Foram poucos os grupos que me dei ao trabalho de comprar uma camisa. Motörhead, Ramones, Beatles e AC/DC estão entre eles.

Quem não conhece o Motörhead ou o Lemmy, recomendo o excelente documentário “49% Motherfucker, 51% Son Of A Bitch” que mostra o artista como um cara simples que mora em um apartamento alugado em Los Angeles cuja a única qualidade é estar a poucos metros de seu bar favorito, o Rainbow, na Sunset Strip. O vídeo pode ser visto na íntegra no YouTube. Assista lá embaixo.

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Foto que fiz no Rainbow. O banquinho do Lemmy agora ficará assim… vazio

Mesmo sendo milionário, ele nunca fez questão de morar em uma mansão. Quando descobriram o câncer no cérebro e no pescoço que o matou, a única extravagância que ele fez foi levar para a sua casa a máquina caça-níquel do Rainbow. Jogou durante horas, dormiu e não acordou mais.

Viajei algumas vezes a trabalho para Los Angeles e em todas elas eu fiz questão de ir até o Rainbow para tentar encontrar o Lemmy. Nunca consegui porque quando fui lá, ele estava em turnê. A presença do baixista no bar era lendária e muitos fãs faziam verdadeiras peregrinações para vê-lo sentando no seu cantinho, tomando uísque e jogando no caça-níquel.

Lemmy não aproveitou o glamour do rockstars como viajar de jatinhos ou morar em mansões. Ao invés disso, viveu como um rockstar, tomando seu uísque sossegado, comendo todas as mulheres que conseguiu e, lá no início da carreira, na Inglaterra, trabalhando como roadie de Jimi Hendrix e vendo shows dos Beatles no Cavern Club. Entre um show e outro, Lemmy escrevia o próximo disco da banda e a vida seguia como se nada tivesse acontecido.

Embora eu tenha conseguido assistir ao show do Motörhead no Rock in Rio, guardei duas frustrações. A primeira, eu citei acima: não consegui encontrar o Lemmy no Rainbow. A segunda frustração foi o cancelamento do show do Motörhead neste ano no festival Monsters of Rock após o músico passar mal. De fato, 2015 não foi fácil para ele. Nem para ninguém.

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Foto que fiz do detalhe da decoração do Rainbow

Assista ao documentário “49% Motherfucker, 51% Son Of A Bitch”:

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