25/06/2017

A responsabilidade no combate à dengue também é da imprensa

Por Felipe Branco Cruz

A história é a mesma todo ano. Basta começar a temporada de chuvas para a dengue aparecer. Neste ano, foi preciso que 80.284 pessoas fossem contaminadas (incluindo 70 mortes) para que a Secretaria de Saúde de São Paulo aumentasse o efetivo de agentes (de 500 para 1000) no combate ao mosquito e incrementasse as ações para evitar a disseminação da doença.

A crítica, no entanto, também deveria ser direcionada para a imprensa. Há um mea-culpa que os veículos de comunicação deveriam assumir sobre sua negligência em publicar reportagens sobre o assunto, mesmo durante o inverno, quando a reprodução do mosquito diminui. É o chamado jornalismo preventivo.

A imprensa não deveria publicar apenas o que está na pauta do dia ou fazer alarde quando o problema já foi instaurado. Ao produzir reportagens preventivas, os veículos de comunicação mobilizam o governo para tomar medidas efetivas antes que o problema surja.

Paralalemente a isso. As epidemias de dengue não são casos isoloados. O alerta às autoridades sobre a urgência no combate à dengue já é quase lugar-comum. Em 2005, por exemplo, a “Folha da Região”, de Araçatuba, publicou em seu editorial: “Faz-se necessário também maior empenho das autoridades sanitárias dos municípios, porque com as tradicionais chuvas de março, que estão por vir, e conseqüente acúmulo de água pelos quintais e depósitos, a incidência da doença poderá aumentar se não houver um trabalho de prevenção”.

De lá para cá, mudou alguma coisa? O governo passou a dispor de mais recursos no comabte a dengue? Se sim, esses recursos foram suficientes? São perguntas como essas que reportagens preventivas deveriam mostrar. Não é a imprensa que vai resolver o problema da dengue, mas ela não deveria fugir – ou se afastar – de seu papel de cão de guarda do poder público sobre questões tão importantes quanto estas.

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