20/07/2017

Beatles? Não, Jonas Brothers

Seguindo a trilogia ‘abstinência, toddynho e rock and roll’,
eles chegarão ao País como um tornado

Por: Felipe Cruz

Kevin, Joe e Nick Jonas estão dormindo. Cada um ocupa uma cama king size na suíte master de um hotel de luxo, em Nova York. O bonachão segurança ‘Big’ Rob Feggans, sem a menor delicadeza, vai de cama em cama sacudindo cada um deles. Quando Joe se levanta, de cara amassada, a gritaria de meninas que têm entre 10 e 21 anos é generalizada no cinema. Joe ameaça reclamar da maneira como é acordado, mas é interrompido por ‘Big’ Rob, que diz: “Vivendo o rock!” Aos que ainda não conhecem, eles são os Jonas Brothers, o mais novo fenômeno adolescente.

Se você nunca ouviu falar deles, prepare-se para uma overdose. A cena acima ocorreu no lançamento do filme Jonas Brothers 3D – O Show, que estreia no País no dia 29. Uma semana antes, no dia 24, os fãs poderão conferir o show que o trio fará em São Paulo, no estádio do Morumbi, com ingressos que custam até R$ 600. Com apenas três anos de carreira e três discos lançados, os irmãos já venderam mais de 12 milhões de cópias e são figurinhas carimbadas em diversos programas e filmes da Disney, como Camp Rock, High School Musical e Hannah Montana. Agora, eles estrelam um programa próprio, chamado J.O.N.A.S.

Assim como todo fenômeno pop, o modo de se vestir, de se portar e até a religião influenciam os jovens em todo o mundo. Com pinta de bons moços e esbanjando boas maneiras, eles conquistaram não só os fãs, mas seus pais. Evangélicos, os três usam um anel prateado que simboliza que se manterão virgens até o casamento. Miley Cyrus, ex-namorada de Nick Jonas e que interpreta a Hannah Montana, também usa o anel.

A joia faz parte de um movimento internacional criado nos Estados Unidos, o Silver Ring Thing. No Brasil, o responsável é o pastor Gerson Freire, da Igreja Presbiteriana de Buritis, em Belo Horizonte (MG). “O anel não é uma bijuteria, é coisa séria”, diz Freire, que estima em 100 mil adolescentes os adeptos em todo o mundo. No País, a meta é atingir, até o final do ano, 15 mil jovens.

Após tomar conhecimento de que os Jonas Brothers usavam o anel, a paulistana Pamela Silva do Nascimento, de 21 anos, resolveu usar também. “Fiquei sabendo que o pastor Gerson viria a São Paulo e fui assistir à palestra dele. Me comprometi a me preservar até o casamento e o anel representa isso.” Em entrevistas, os irmãos quase nunca falam sobre o assunto. Como são contratados da Disney, passaram a usar um anel criado exclusivamente para eles, porque a companhia não queria associar seu nome a uma religião. “Eles começaram usando um anel igual ao nosso, mas, hoje, por questões contratuais, têm de dizer que usam um ‘anel de pureza’. Os votos, no entanto, continuam mantidos”, diz o pastor.

Sua filha Vivian Gomes, de 16, foi a primeira a usar o anel no Brasil. “Quando meu pai voltou dos Estados Unidos, ele me contou do anel”, relata ela, que namora um rapaz de 20 anos, também adepto do movimento. “Sou fã da Hannah Montana e do Jonas.”

Elektra Mosley, de 19, vocalista da banda paulistana Fake Number, diz que o som e o estilo do Jonas Brothers são inspirações para as músicas do grupo. “Os mais velhos podem não se identificar com a música, mas não dá para dizer que eles não têm talento. São bons.” Em junho, a banda lançará seu primeiro CD autoral, mas, antes disso, em shows, já chegou a fazer cover da canção Burning Up, do Jonas. “Eles são estilosos, bem novinhos e a gente se identifica”, completa.

Sobre o anel, Elektra faz um alerta: “Eles não precisam dele para se promover, tanto é que não falam no acessório em entrevistas. Quero ver quando eles caírem em ‘tentação’… Vão acabar decepcionando muita gente”, comenta. “De qualquer forma, a pinta de bons moços pode ajudar a convencer os pais de que um show de rock não precisa de sexo e drogas para ser divertido.”

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