19/10/2017

Brasileiros falam bem inglês? Youtuber americano analisa a fluência dos famosos

Por Felipe Branco Cruz
Publicado originalmente no UOL em 13/07/2017

Qual artista brasileiro fala bem inglês? Será que o Jô Soares, conhecido por ser fluente em cinco idiomas, fala sem sotaque? E William Bonner, Joel Santana, Rubinho Barrichello, Ayrton Senna, Renato Russo, Gilberto Gil e Caetano Veloso?

O americano Gavin Roy, doutor em Ciências Atmosféricas, fluente em português, analisa de maneira bem-humorada o inglês dos brasileiros em seu canal do YouTube “SmallAdvantages” (“Vantagenzinhas”, na tradução literal), além de dar dicas de inglês e contar suas descobertas com a língua portuguesa. “Não tinha a intenção de criar um canal e bombar, mas depois de pronto, eu pensei: ‘Caraca! Eu posso'”, disse ao UOL, em português.

A maneira espontânea com que ele trata os dois idiomas, além das valiosas dicas que ele dá, ajudaram o canal a ficar conhecido. Atualmente ele tem aproximadamente 615 mil pessoas inscritas e mais de 22 milhões de visualizações. “Embora eu tenha doutorado, minha renda atual vem exclusivamente do canal no YouTube”, revelou.

Uma das surpresas que Gavin teve quando abriu o canal foi a de que brasileiros gostam de saber que outras pessoas estão aprendendo português. “O comum é o contrário, né? Quando os brasileiros aprenderem inglês. Mas vocês têm que perder a tal ‘síndrome do vira-latas’. Quando se aprende português, você também aprende sobre a cultura brasileira, e isso é muito bom. O brasileiro tem mais calor humano que o americano”, afirmou.

“Sorry my bad english”

Dos diversos quadros que Gavin tem em seu canal, um dos que faz mais sucesso é aquele em que o inglês dos famosos é posto à prova. “O brasileiro tem o costume de pedir desculpas por falar mal o inglês. Não precisa pedir desculpas, nós vamos te entender”, brincou.

Por exemplo, em um vídeo de William Bonner fazendo um convite em inglês para uma palestra em Londres, Gavin diz que claramente é possível perceber que o jornalista é estrangeiro. “Mas ele fala bem certinho”. Jô Soares, por sua vez, ganhou um elogio, embora cometa alguns erros. “O inglês dele é afinado”.

Já o técnico de futebol Joel Santana, famoso por seu inglês caricato, ganhou um vídeo especial com diversos americanos tentando entender o que ele diz. A conclusão é a de que Joel sabe inglês, mas não consegue falar direito.

Na lista dos melhores no inglês estão Rubinho Barrichello, que para Gavin tem o “sotaque de Roger Federer”, Ayrton Senna, que fala “tranquilamente” e Renato Russo que antes de ser famoso foi professor de inglês. “Eu fiquei surpreso com o inglês do Renato Russo. Depois descobri que ele era professor”, disse. Gavin, aliás, é fã de Legião Urbana e chegou a postar um vídeo cantando “Faroeste Caboclo”.

Mas até o momento, ninguém superou Gisele Bündchen, que fala como uma nativa americana. “Seu inglês é impressionante. Com o sotaque correto”.

Gírias e palavras em português

Em seus vídeos, Gavin se esforça para falar português como os brasileiros e usa gírias como “zoar”, “da hora” e “maneiro”. Em outro quadro de seu canal, ele mostra suas descobertas com a língua portuguesa, elencando palavras que só existem por aqui.

Ela cita, por exemplo, a expressão: “bem grandinho”. “Como algo pode ser grande no diminutivo e ainda ser ‘bem’?”, questionou o americano. Outra palavra que ele afirma não existir em inglês é “anteontem”. “Dizemos ‘the day before yesterday’. Pelo menos nem em inglês nem em português existe uma palavra para ‘o dia depois de amanhã’, que é o nome daquele filme”, brincou.

Gavin revela que ainda não entendeu a diferença entre “ouvido” e “orelha” e que ambas em inglês significam “ear”. “Acho que não dá para dizer em português que ‘sou todo orelhas’ ao invés de ‘sou todo ouvidos'”, analisou.

Outras expressões curiosas que ele aponta em português são “enrolado”, “calorento”, “friorento”, “cadê”, “agasalhar”, “alheio”, “mutirão” e “cafuné”. “Adoro a palavra ‘cafuné’. É incrível existir uma palavra para descrever o gesto de ‘to scratch somebody’s head gently” (‘arranhar gentilmente a cabeça de alguém’)”, disse.

Trabalho no Brasil

Graças à sua fluência em português, Gavin passou recentemente uma temporada no Brasil, na Universidade de São Paulo, trabalhando como tradutor científico e intérprete do Departamento de Ciências Atmosféricas. “Foi super legal. Pude conviver com brasileiros não como turista. Isso foi ótimo porque não encontrei nenhum americano durante três meses”, lembrou.

Gavin mora no estado americano do Colorado, porém um de seus objetivos é conhecer os 26 estados e o Distrito Federal do Brasil e os 50 estados americanos. “Brasil e Estados Unidos são muito grandes. Quero conhecer tudo”, afirmou.

“Nos Estados Unidos não há uma diferença tão grande de sotaques quanto existe no Brasil. Eu amo perceber as diferenças de fala do Nordeste e do Sul. É uma riqueza muito grande”, explicou.

Antes de terminar de conversar com o UOL, Gavin lembrou de mais uma expressão brasileira que não existe nos Estados Unidos. “Vocês dizem ‘falou’, ‘é isso, então’ ou coisas assim, para indicar que a conversa acabou. Não é rude e todo mundo entende que está na hora de parar. Acho ótimo”.

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