20/08/2017

Filme mostra a formação de uma das mais promissoras bandas de rock dos EUA

Por Felipe Branco Cruz
Publicado originalmente no UOL 17/06/2017

Poucas são as vezes em que o público tem a oportunidade de testemunhar a gênese de um grupo de rock tão de perto. O trio de heavy-metal Unlocking the Truth, formado em 2011 no Brooklyn, em Nova York, pelos adolescentes Malcolm Brickhouse, Alec Atkins e Jarad Dawkins é um desses raros exemplos.

Os meninos, que lançaram seu primeiro álbum, “Chaos”, somente no ano passado, ficaram conhecidos na internet quando tinham apenas 11 anos. Hoje eles têm 17 e 16. Como diversos artistas inexperientes de Nova York, eles começaram a tocar nas ruas da Times Square, até que alguém filmou a apresentação, divulgou no YouTube e ela viralizou.

O resultado é o documentário “Breaking a Monster”, que mostra como os garotos saíram do Brooklyn para a fama mundial, com shows em grandes festivais como o Bonnaroo e o Coachella. O filme, está em cartaz na programação do festival In-Edit, em São Paulo e será exibido neste sábado, às 15h, no Cine Olido, no domingo, às 15h, no CineSesc, e no dia 23, às 15h30, no Matilha Cultural.

“Nós éramos crianças e só queríamos tocar música e nos divertir”, disse Malcolm, por telefone ao UOL. “O filme mostra nossa relação com o gerente. Estávamos descobrindo o mundo”, completou.

Após o sucesso no YouTube, o que aconteceu em seguida até parece roteiro de filme da Sessão da Tarde: um ambicioso empresário, Alan Sacks, 70, procurou os garotos e assinou um contrato com eles. No começo, o empresário surpreendeu os meninos com seus contatos no mercado musical, mas depois se mostrou uma pessoa excêntrica com questionáveis métodos de trabalho.

O empresário, no entanto, percebeu que a história da banda, além de sua música, interessaria o mercado americano e, por isso, filmou também o passo a passo do grupo até a assinatura de um contrato de US$ 1,7 milhão com uma grande gravadora.

“Ele [o empresário] fez o que deveria fazer. Não me arrependo daquela época. As atitudes e reações que tivemos foram típicas de adolescentes”, disse Malcolm, que hoje está com 17 anos.

Mas o método de trabalho de Alan não era convencional, como fica claro no documentário. Ele tratava os garotos como adultos, cobrava deles responsabilidades e uma maturidade que eles ainda não tinham. Por exemplo, a todo momento vemos Alan discutindo com os meninos, chamando a atenção deles por coisas absolutamente banais.

Em uma delas, os meninos dizem para Alan que ele só quer ganhar dinheiro. “Minha mãe disse que você só quer saber dos lucros”, diz um dos garotos. O empresário fica nervoso e faz um discurso moralista, dizendo que a mãe estava errada e que ele só queria o bem dos meninos.

Outras discussões também são apresentadas no documentário, como a questão da cor da pele. Como eles vieram do Brooklyn, um bairro com maioria negra e reduto do hip-hop americano, a mídia esperava que os garotos se interessarem pelo ritmo e não pelo rock, que seria música de branco.

“Eu gosto de ouvir hip-hop. Mas minha música é metal. É o meu estilo”, disse Malcolm, que recentemente realizou o sonho de conhecer a banda Metallica. “Eles nos deram boas dicas. O Metallica é uma grande influência. Foi uma experiência muito interessante”.

Depois do documentário, muita coisa já aconteceu na carreira dos garotos, que não foram mostradas no vídeo. Por exemplo, eles não aguentaram as cobranças e as intermináveis reuniões a que eram submetidos e romperam o contrato com Alan e também com a Sony. O disco saiu, mas foi por uma gravadora independente.

“Ganhamos experiência. O documentário foi bom porque agora mais pessoas nos conhecem, temos mais fãs. O filme é verdadeiro porque mostrou o lado bom e o lado ruim da fama”, disse Malcolm. “Mas, me divirto com toda essa atenção que estamos recebendo da imprensa”, completou. “Fomos os mais jovens artistas a tocar no Coachella. A plateia foi incrível. Gostaria de ter uma nova oportunidade como aquela”.

Como fica claro no filme, tudo o que os garotos queriam era tocar música, gravar um disco e, se tivessem tempo livre, andar de skate e de bicicleta. Só que, de repente, eles se viram envolvidos em questões burocráticas da gravadora, tendo que decidir que tipo de letra usariam na logomarca da banda ou aprovar que cor a camisa de merchandising. Ou seja, a música foi deixada de lado e eles, em plena adolescência, se transformaram em um produto valioso para a gravadora.

Independentemente de todas as discussões e brigas apresentadas no documentário, o talento dos garotos sobressaiu e o lançamento deste primeiro disco, certamente, é só o começo.

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