20/11/2017

Grupos culturais do Rio são premiados no Parque Lage

A riqueza da produção artística fluminense emocionou a todos os que assistiram e participaram da Mostra Prêmio de Cultura do Estado do Rio de Janeiro no Parque Lage nos últimos dias 09, 10 e 11 de maio. Cada região do estado pôde mostrar sua vocação cultural alternando música, teatro, dança, audiovisual, folias de reis, jongo, serestas, circo, gastronomia, artesanato, escultura, e gastronomia, além do grafite, dança de rua, e outras expressões que ocuparam o jardim principal, as escadas, os salões, varandas, a piscina coberta transformada num grande palco, auditório e platô da EAV/Parque Lage.

De uma lista de 100 indicações, dez nomes de cada região, Costa Verde, Médio Paraíba, Baixada Litorânea, Centro-Sul, Norte, Serrana, Metropolitana Rio, Metropolitana Baixada, Metropolitana Leste e Noroeste, chegou-se a 30 premiados, três por cada região e escolhidos por especialistas e pela população do Rio de Janeiro que pôde votar via internet. Os ganhadores do voto popular foram: Grupo Teatrama, de Araruama; Sociedade Musical Camerata Rioflorense, de Rio das Flores; Parque Arqueológico e Ambiental de São João de Marcos, Rio Claro; Quarto do L, de volta Redonda; Escola Livre de Cinema, de Nova Iguaçu; Cia.Holos de Dança, de Niterói; Cine Literário, Rio de Janeiro; Sementes da Capoeira, de Porciúncula, Banda Cervical, de Macaé e Latex- Laboratório de Artes e Teatro Experimental, de Cachoeiras de Macacu.

Dona Olinda, Mãe Beata e Dona Odília
Três mulheres consideradas como patrimônios vivos do estado foram homenageadas nesta edição do Prêmio de Cultura, uma a cada noite, por suas trajetórias de vida e importância para a cultura por sua sabedoria de vida: Dona Olinda , integrante da Velha Guarda da escola de samba Unidos de Porto da Pedra; Mãe Beata, que está a frente do Terreiro Ilê OmiOjúArô, nascida na Bahia, mas radicada em Nova Iguaçú, e que vem trabalhando para o fortalecimento da cultura negra no Brasil desde 1960; e dona Odília, rezadeira de Minas Gerais que fixou residência em Paulo de Frontin aos 25 anos e é conhecida por sua fé e dedicação ao próximo.

A Mostra Prêmio de Cultura do Estado foi composta por mais de 60 atrações, somando-se shows musicais, esquetes teatrais, audiovisual, rodas de jongo, performances de dança, exposições de cerâmica, tapetes, papel machê, e grupos de expositores de artesanato, doces e bebidas de todo o estado. A Secretária de Estado de Cultura, Adriana Rattes entregou o prêmio à primeira homenageada, Mãe Beata. Também estiveram presentes na premiação, a subsecretária de Relações Institucionais, Olga Campista e a superintendente de Artes, Eva Dóris Rosenthal.

No primeiro dia as crianças se encantaram com uma singela contação de história na escadaria do jardim principal pelo ator Warley Goulart, carioca integrante do grupo Tapetes de Histórias, que encenou em seu tapete todo costumizado uma daptação de “O Espelho Mágico”, conto de Câmara Cascudo. Ao mesmo tempo, no jardim, grafiteiros do coletivo Posse 471, que participam do Meeting Of Favela, movimento que há oito anos reúne grafiteiros de todo o Brasil em Duque de Caxias, trabalhavam em dois grandes painéis, usando muita cor e figuras lúdicas.

Nas varandas da Escola de Artes Visuais, o grupo de choro Passagem de Nível recriou o clima da praça Dr. João Nery, no cento de Mendes, onde eles se apresentam todo o final de semana há nove anos.

No platô, a tradição do jongo da Associação Afro Jongo Caxambu Renascer, de Vassouras, fez o pessoal da plateia entrar na roda para dançar, assim como o Fado de Quissamã, que existe há mais de 40 anos. Apresentações de teatro como a do grupo Queimados Encena , de música e de dança como o Coletivo de Dança de Itaguaí também abrilhantaram a festa. Fechando a noite, o Baile Charme de Madureira tomou conta do espaço, com a black music que reúne até duas mil pessoas aos sábados sob o viaduto Negrão de Lima, no coração de Madureira.

Os premiados do primeiro dia foram:
Quilombo de Marambaia, de Mangaratiba;  Defeso Cultural de Paraty, Meeting of Favela de Duque de Caxias, Folia de Reis Flor do Oriente, também de Duque de Caxias; Redes de Desenvolvimento da Maré; Bienal de Música Brasileira Contemporânea; Associação Afro Jongo Caxambu Renascer, de Vassouras; Ocupação Fábrika/Gargarulio, de Miguel Pereira; Associação de Bordadeiras, de Itaperuna e grupo Cara da Rua, de Miracema.

Poesia, teatro e circo foram destaques do segundo dia
No sábado, uma das principais atrações foi o grupo Amistad (do espanhol “Amizade”) trouxe de Angra dos Reis a música sul-americana, de nossos países vizinhos, à mostra nos instrumentos incomuns de ser ver por aqui, como o charango (espécie de cavaquinho de dez cordas) e a flauta de pã (feita de tubos de maneira).

Chegada a vez da Oficina de Luteria de Rio das Ostras, quem abriu o show com voz e violão foi o mestre de luteria Já Silva, seguido por outros músicos associados à Fundição Escola de Artes e Ofícios. Músicas regionais do sudeste e do nordeste eram interpretadas por dançarinos, combinando baião e street dance.

O Coletivo Teatral Sala Preta, de Barra Mansa, criado em 2009, apresentou os contos de “Ifá, o adivinho”, narrativas orais de origem africana que integram a série de espetáculos “Contos dos Continentes”.

Enquanto o teatro transformava o palco do Platô na África, a escadaria da Escola de Artes Visuais era um misto de Lisboa, Recife, Rio de Janeiro e outras cidades mais. Os poetas do niteroiense Corujão da Poesia declamaram para o público um pouco de Fernando Pessoa, Amália Rodrigues, Manuel Bandeira e Adélia Prado, além de criações dos próprios integrantes do grupo.

Patrícia Gula veio de Nova Friburgo para prestigiar seus amigos da Trupe Família Clou. Mas esse foi apenas o fio condutor para uma rede de possibilidades dentro do parque. “Pra onde você anda, tem atração acontecendo. Foi muito legal ouvir os seresteiros (de Conservatória) e ver a interação que a Família Clou fez com a Folia de Reis, hoje mais cedo; foi mágico”, lembra a visitante friburguense.

À noite, sob as árvores iluminadas do parque, quem lotou o platô foi a banda Quarto do L, de Volta Redonda. E, antes da última atração da noite – a Ciranda Elétrica de Paraty – foram anunciados mais dez projetos vencedores, eleitos pela comissão. A homenageada do dia, Dona Olinda, recebeu um troféu da Subsecretária de Relações Institucionais da SEC, Olga Campista, e contou a história de paixão pelo samba que a levou a ser presidente da Velha Guarda da Porto da Pedra. “Apesar de ser Imperiana, né?”, brincou a senhora de 88 anos sobre sua eterna escola de coração, a Império Serrano.

Os premiados do dia foram: Casa Carlos Scliar, de Cabo Frio; Oficina de Luteria, de Angra dos Reis; Cine Centímetro, Valença; Corujão da Poesia, de Niterói; Associação de Oleiros de Itaboraí; Banda Sociedade Musical Lira de Apolo, de Campos dos Goytacazes; Fado de Quissamã; Coletivo Teatral Sala Preta, de Barra Mansa; Ecomuseu Rural de Barra Alegre; e Família Clou, de Nova Friburgo. E foi o palhaço Dalmo Latini que fechou a premiação, de improviso, animando com o público uma “olla!” digna de jogo de futebol.

Música clássica e passinho no encerramento
No último dia da Mostra Prêmio de Cultura, muitos famílias se reuniram para comemorar o Dia das Mães e passar uma tarde repleta de música, dança e histórias no Parque Lage.

O dia começou com os grupos Cara da Rua, Jongo Caxambu de Miracema e Ponto de Leitura Bicicloteca, que, por meio de bicicletas adaptadas para carregar uma grande quantidade de livros, percorre escolas e comunidades de Paty do Alferes, emprestando seu acervo, contando histórias e oferecendo oficinas à população. À tarde, foi a vez da música erudita ecoar pelo palco montado sobre a piscina do Parque Lage com a Orquestra Sinfônica de Barra Mansa e a Sociedade Musical Camerata Rioflorense. Em outros palcos também se apresentaram os grupos Muse de Favela, Teatrama e Latex  – Laboratório de Artes e Teatro Experimental, entre outros.

O início da noite foi marcado pela emoção e pela expressão corporal com a Cia. Holos de Dança, que se apresentou no platô e tem metade de seus componentes formados por artistas portadores de necessidades especiais. Para Renan Camprestinni, de 21 anos, dançarino que se apresenta há um ano com a companhia, esse é o aspecto mais interessante do projeto. “Fazer parte disso mudou completamente a visão que eu tinha das pessoas que possuem necessidades de acessibilidade diferentes da minha”. Segundo ele, a mensagem que o espetáculo passa é de que qualquer pessoa deve ter direito à arte, e de se expressar por meio dela “O incentivo e a visibilidade que o Prêmio de Cultura nos oferece é muito importante nesse processo”, conclui Renan.

O Dreamteam do Passinho, dança de rua adaptada ao funk, com passos que fazem referência até a Michael Jackson esquentou o clima antes da premiação. A Superintendente de Artes, Eva Doris Rosenthal,  subiu ao palco para homenagear o poder da crença e da reza de Odília do Nascimento Santiago, que realiza um trabalho de dedicação ao próximo em Engenheiro Paulo de Frontin. “Aqui somos todos irmãos. Coração de mãe é grande, cabem todos os filhos. Paz, amor e bondade para todos”, encerrou Dona Odília.

Após as bonitas palavras de Dona Odília, teve início a cerimônia de premiação da noite, apresentada pelo cantor e produtor musical Rafael Nike, que chamou ao palco os vencedores do último dia do Prêmio de Cultura do Estado do Rio de Janeiro de 2014: Grupo Teatrama, de Araruama; Sociedade Musical Camerata Rioflorense, de Rio das Flores; Parque Arqueológico e Ambiental de São João Marcos, de Rio Claro; banda Quarto do L, de Volta Redonda; Escola Livre de Cinema, de Nova Iguaçu; Cia. Holos de Dança, de Niterói; Cine Literário, do Rio de Janeiro; Sementes da Capoeira, de Porciúncula; banda Cervical, de Macaé; e Latex – Laboratório de Artes e Teatro Experimental.

Encerrada a premiação, o diretor e curador da mostra, Rafael Dragaud fez um balanço dos três dias de evento. “Ao final, o que fica é a certeza da potência do conjunto da cultura do Rio de Janeiro, pois tivemos todo tipo de manifestação. Eu acho que isso serve pra gente varrer todos os preconceitos, tanto contra a cultura popular contra a cultura erudita. Por isso tivemos orquestra de câmara, música clássica, violinos misturados com passinhos, misturados com seresta, com black music, com ciranda, folia de reis, cinema, artesanato, tapeçaria, uma lista infindável de coisas que são a tradução da cultura do Rio de Janeiro”.

Fonte: Secretaria de Cultura do Rio de Janeiro
Colaboração de Beatriz Felix, Gabriel Nascimento e Sandra Menezes

O que você achou dessa notícia? Comente