21/11/2018

Não falta animação

Quem são os jovens brasileiros que
não param de criar desenhos para o mundo

Por: Felipe Cruz

O interesse pela mão de obra brasileira de animação só tem aumentado desde 2002, quando Carlos Saldanha codirigiu o longa A Era do Gelo. Profissionais experientes e até recém-formados têm feito trabalhos para estúdios americanos e europeus. Algumas produções, inclusive, são exclusivas para esses mercados e nem foram exibidas por aqui. Segundo a mais recente pesquisa oficial sobre o mercado de animação – divulgada no final de 2008 pela Animation Mentor –, o Brasil é o quinto país no setor, e responde por 4% da produção mundial, ao lado da Austrália e Espanha.

Os desenhistas Suemi Aquilar Niyama, de 24 anos, e Marcio Luiz Cardoso, de 46, ajudam a engordar estas estatísticas. Ambos estão neste mercado há menos de dois anos e já produziram para o exterior. A dupla atuou no longa Brendan e o Segredo de Kells, produzido pelo estúdio brasileiro Lightstar. Em fevereiro, o filme estreou na França e, neste mês, na Irlanda, mas ainda não tem previsão de chegar ao Brasil. “Antes de trabalhar na Lightstar, eu participei da animação brasileira O Grilo Feliz e os Insetos Gigantes (produzido pelo estúdio Start Desenhos Animados)”, diz Suemi.

A história de Cardoso é ainda mais curiosa. Recém-formado em animação, até então ele trabalhava como professor de natação. Hoje, divide o tempo entre as piscinas e as pranchetas. “Era um sonho de criança. Sempre fui fã da Disney.” Mas o salário não é alto: o iniciante ganha cerca de R$800. “Tudo depende do tipo de produção, o salário pode ser maior”, diz. Mas conta que, para ele, a natação é mais rentável que a animação.

Mais novo do que Cardoso, embora tenha 16 anos de experiência em animação, Carlos Avelino Santos, de 36 anos, já produziu mais de dez filmes para o exterior sem nunca ter visitado os Estados Unidos. Para ele, sim, a animação é a principal fonte de renda. “O salário pode chegar a R$8 mil”, conta. “Há dez anos mandávamos fitas VHS pelo correio. A resposta demorava semanas. Hoje é mais fácil.” Em seu portfólio, estão os seriados para TV de Ursinhos Gummy, Pateta e Alladin, além de produções exclusivas para Espanha e Argentina.

Professor da Academia de Animação e Artes Digitais (AAAD), Santos conta que seu último trabalho é a animação policial Procura-me, em que ele capta as feições de Luana Piovani, Luisa Mell, Paulo Ricardo e Jerry Adriani para serem personagens e dubladores do filme. A prévia do desenho está no Youtube, no link www.youtube.com/watch?v=HoQucL8Sprc. “A carreira de desenhista demorou para ser reconhecida no Brasil. Ainda hoje, o profissional brasileiro não tem o mesmo status que um americano”, diz.

Marcelo Moura, um dos sócios da produtora Lightstar e diretor da AAAD, concorda com Cardoso. Dono de trabalhos como A Era do Gelo, Pocahontas, Pequena Sereia 2 e Asterix e os Vikings, trabalha em uma produção internacional que terá dublagem de Wagner Moura e Camila Pitanga.

Já o quadrinista Gabriel Bá, que em 2008 ganhou o Oscar dos quadrinhos, o prêmio Will Eisner, e este ano foi novamente indicado por The Umbrella Academy, viveu o oposto: Umbrella vai virar filme com atores de carne e osso e será produzido pelos estúdios Universal. Para Bá, não há segredo para o reconhecimento. “O mercado precisa de profissionais, não interessa onde morem. Se você desenha bem e entrega no prazo, eles contratam. O desenhista é apenas mais uma peça nesta monstruosa indústria.”

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