25/06/2017

Não há nada melhor do que dormir ouvindo os passarinhos

Há alguns dias eu cheguei de madrugada de uma viagem e notei uma preciosidade que geralmente não percebo, porque neste horário estou dormindo: o canto do sabiá. Era 4h30 e o barulho estava alto. Não achei ruim. Pelo contrário, gostei de ouvir o passarinho cantando em meio a tanto concreto. A melodia do bichano embalou meu sono e me fez dormir mais rápido.

O canto do passarinho lembrou-me da minha infância, no interior do Rio de Janeiro (longe da praia), aonde meu avô cuidava de seus passarinhos, trocando o jornal da gaiola e a água do animal, soprando o alpiste e colocando jiló para ele comer.

Na minha casa, eu também tinha três gaiolas com dois canários e um azulão. E eles cantavam muito! Alguns vizinhos até reclamavam do “barulho” que eles faziam, mas eu amava ouvi-los cantar. Os passarinhos tinham sido nos dado de presente pelo meu avô. Só não achava justo deixá-los presos em gaiolas. Um dia eu pedi para a minha mãe soltar um deles. Abrimos a portinha e o canário voou. Foi até a janela da vizinha, ficou parado uns minutos e voltou. Entrou dentro da gaiola sozinho e lá ficou, mesmo com a portinha aberta. Tadinho, ele já não sabia mais viver em liberdade.

De volta à capital paulista, eu já havia notado o canto do sabiá outras vezes. Assim como percebo também o canto do bem-te-vi. Porém é raro eu ouvir os passarinhos de madrugada, já que tenho um sono profundo.

Essa história me lembrou de uma polêmica que rondou São Paulo no ano passado. Alguns paulistanos reclamaram que os passarinhos cantores atrapalhavam o sono ou a concentração durante o trabalho. Para mim, o que atrapalha a concentração no trabalho é ficar no Facebook. Nunca, em hipótese alguma, os passarinhos. (Leia aqui a reportagem)

Não consigo entender como é que alguém não gosta do canto do sabiá. Embora ele seja repetitivo, o canto é melodioso e nos lembra constantemente que a natureza resiste, mesmo contra os cruéis ataques de nós, humanos. Minha rua está bem próxima da Marginal Tietê, uma das vias mais movimentadas da capital. Mesmo assim, durante a madrugada, eu percebo um silêncio de cidade do interior, eis um dos motivos que amo viver neste bairro. Agora, ao notar o canto do sabiá, ganhei mais um motivo para amar ainda mais.

O fato é que naquela noite, quando ouvi o canto do sabiá, eu dormi mais feliz. Afinal, pude ouvir o passarinho cantar – e ele não estava em uma gaiola – mesmo em uma cidade tão hostil como São Paulo, inclusive com pessoas que não gostam de ouvi-los cantando.

O canto do sabiá

O canto do bem-te-vi

Reportagem da Record

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