15/12/2017

No Maximus, a decoração era apocalíptica, mas lounge vip foi o paraíso

Uma gota de suor escorria do rosto de Christian Horodenki, 25, e borrava a sua pintura do tipo corpse paint, feita por uma maquiadora colocada à disposição do público, no lounge vip do festival Maximus, neste sábado (13). Corpse paint é um tipo de pintura facial em preto e branco, muito utilizada por bandas de black metal e que retratam sentimentos de ódio e agonia.

Mas os sentimentos que o jovem, descendente de ucranianos, sentia naquele momento estavam bem mais próximos da felicidade e do êxtase. “Paguei caro para estar aqui [R$ 724 meia entrada], mas estou muito feliz. Foi a melhor decisão da minha vida”, disse Horodenki.

“Olha só, essa maquiagem ficou muito foda. Está perfeita. É black metal total. Posso dizer, sem sombra de dúvidas, que hoje eu estou imerso no Maximus”, contou o rapaz, que é fã de obscuros grupos nórdicos e neste ano já foi nos shows de Borknagar, Barbadus e Belphegor.

A euforia de Christian tinha razão de ser. Afinal, o lounge, de dois andares, oferecia visão privilegiada do palco, mimos como uma mesa profissional de carteado, jogos de dardos, cerveja, água e energético à vontade, além de pão com carne moída e muitas coxinhas.

Outros mimos grátis (quer dizer, incluídos no preço que ultrapassou os R$ 1.000) eram corte de cabelo em um stand do Circus e barba e bigode no The Rocks. Dois tatuadores também estavam à disposição. Por volta das 16h, 26 pessoas estavam na fila pela tatoo, com tempo de espera de quase duas horas, porém eles só faziam quatro desenhos pré definidos – e não era de henna, era definitiva.

Circularam por lá o apresentador do MasterChef, Henrique Fogaça, que mais cedo tinha tocado no festival com sua banda Oitão, o vocalista e guitarrista do Raimundos, Digão, a vencedora do BBB14, Vanessa, e o apresentador da Globo, Rafael Cortez. Porém, até onde se soube, eles não saíram do espaço, também não usaram os mimos do local e só beberam cerveja, água e comeram as coxinhas.

Cenário de Mad Max

Quem ficou só no lounge perdeu detalhes igualmente interessantes da decoração. Havia diversos cenários apocalípticos, saídos praticamente de dentro de um filme de Mad Max (inclusive com pirotecnias) perfeitos para aquela foto esperta para o Instagram.

No caminho entre um palco e o outro, as 40 mil pessoas (segundo a organização) poderiam prestar suas homenagens aos ídolos mortos, em um cemitério fictício, batizado de Floresta Negra e repleto de cruzes e cabeças de bonecas penduradas nas árvores. Ou, ainda, sentar em um trono sinistro, ladeado por águias negras e dragões que pareciam ter saído de um filme do Wes Craven.

Alheio a tudo isso, lá no fundão, estavam os dois amigos Leonardo Souza, 33, e Felipe Ramos, 23, preocupados apenas em assistir de uma posição confortável o show do Slayer. “Do jeito que o lounge VIP foi montado, não nos incomoda. É ruim quando colocam uma área premium em frente ao palco. Aí tem que invadir mesmo”, disse Leonardo, fazendo referência à sugestão do guitarrista do Prophets of Rage, Tom Morello, que queria que o público que não tivesse dinheiro invadisse o festival.

“No ano passado eu fiquei no lounge Vip, mas não vi vantagem. Tem muito espaço aqui embaixo, tá fácil de comprar a minha cerveja e o banheiro tá ali no canto. Quem curte metal, tem que estar no meio da galera e não lá em cima”, completou ele.

A discussão entre os dois estavam mais acalorada sobre a música do que sobre os benefícios da classe VIP. “Preferia que tivessem colocado o Metallica no lugar do Linkin Park. Aí sim, teríamos metade de um Big Four” afirmou Felipe, fazendo referência aos quatro grandes grupos do thrash: Metallica, Slayer, Megadeth e Anthrax.

Do outro lado do festival, um grupo de oito amigos pernambucanos que usavam camisetas do Prophets of Rage, também comentavam sobre o festival e não gostaram da sugestão da invasão.

“Um festival tem que ter lucro. E o fã tem que prestigiar seu artista favorito, seja comprando a camisa ou os discos”, disse Arthur Duarte, que é de Recife e há um ano mora em São Paulo. “Não acho ruim que exista uma área VIP. Esses lugares são feitos para as marcas patrocinadoras se relacionarem com seus clientes. Se não tem patrocínio, fica inviável trazer os artistas pro Brasil”, finalizou.

O que você achou dessa notícia? Comente