14/12/2017

Novas tecnologias estão deixando as pessoas mais antissociais?

Por Felipe Branco Cruz
Publicado originalmente na revista Mundo Estranho ed. 160

No Brasil, mais de 120 milhões de pessoas têm celular, 76 milhões têm conta no Facebook e 38 milhões usam o WhatsApp. A vida em rede já é uma realidade, mas será que ela faz mal?

SIM

Apesar de mais práticas, as novas tecnologias exigem mais tempo e atenção. “Se você tem perfil em várias redes sociais, receberá avisos o tempo inteiro, fazendo com que abandone o mundo presencial para focar no virtual”, afirma a psicóloga e pesquisadora Ana Luiza Mano, da PUC-SP

Ficar muito atrelado às redes sociais e aos apps de mensagem pode piorar nossa capacidade de relacionamento. A neurocientista britânica Susan Greenfield alerta que essa geração pode se tornar muito hedonística, movida a prazeres momentâneos.

Já há pelo menos uma forma de ansiedade ligada ao vício em tecnologia, a “fomo”, relacionada à afobação de checar apps. Uma pesquisa do jornal britânico The Sun apontou que 34% dos ingleses olham seus smartphone após fazer sexo, 51% checam redes sociais durante o jantar e 42% interrompem uma conversa real quando o celular toca.

Segundo um estudo feito pela California State University, o uso exacerbado de novas tecnologias e internet pode desenvolver paranoia, agressividade e tendências narcisistas. Além disso, muitos psicólogos já tratam o vício tecnológico da mesma forma que tratam o abuso de álcool ou cigarro.

tecnologias

NÃO

As novas tecnologias são apenas intermediárias. “Ser antissocial é sempre uma questão do uso que fazemos da ferramenta tecnológica”, diz Ana Luiza. Uma pesquisa de 2010 demonstrou que o uso de redes como o Facebook pode ser saudável na sociabilização de pessoas tímidas.

A tecnologia na verdade pode ser uma facilitadora social: amigos e familiares distantes podem ser acessados com rapidez. “Tem muito pai que diz queo filho ficou antissocial por causa ‘do computador’. Na verdade, o filho está é se comunicando com dezenas de pessoas, menos com o pai”, diz o comunicador Marcelo Tas.

O uso prolongado não é negativo necessariamente. Um estudante pode se dedicar a uma pesquisa, por exemplo. E o tempo gasto só batendo papo? Pode ser positivo: uma pesquisa de 2012 apontou que as pessoas que trocam mais mensagens pelo celular também são as que mais se encontram em pessoa com os amigos.

A internet pode ajudar. Uma pesquisa de 2007 da Universidade de Michigan mostrou que usar redes sociais com frequência aumenta consideravelmente a autoestima. Já um estudo da Universidade de Maryland apontou que jovens que ficaram 24 horas desconectados se sentiram isolados.

Consultoria:
Ana Luiza Mano, psicóloga e pesquisadora do NPPI, da PUC-SP; Marcelo Tas, jornalista e pioneiro no uso das redes sociais no Brasil; Moira Burke, cientista de dados globais do Facebook.

Fontes:
Livros “Amor Líquido”, de Zygmunt Bauman, “O Efeito da Desinibição Online”, de John Suler; Artigos “What Teens Do With Their Phones”, de Amanda Lenhart e “Shymess and Online Social Networking Services”, de Levi R. Baker e Debra L. Oswald; site “The Sun”.

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