15/12/2017

Parece que foi ontem: Como estão os músicos que fizeram sucesso há 20 anos

Por Felipe Branco Cruz
Publicado originalmente no UOL em 21/06/2017

Parece que foi ontem, mas lá sem vão 20 anos das estreias de bandas como O Surto e Fincabaute, consideradas naquela época promessas do rock nacional. Nas rádios, os sons que não paravam de tocar vinham de nomes como Deborah Blando, Virgulóides e Vinny.

Se alguém que entrou em coma naquela época acordasse nos dias atuais, não entenderia como o hit “Heloísa, Mexe a Cadeira”, do Vinny, uma das mais tocadas de 1997, desapareceu da face da terra.

Mas não foi só Vinny. Quase todos os grupos musicais que fizeram sucesso em 1997 foram esquecidos. Se perguntamos para um jovem de 20 anos, certamente ele não saberá dizer que “Unicamente” foi o hit de Deborah Blando mais tocado naquele ano.

Para entender que conjunções cósmicas e alinhamentos galáticos levaram essas bandas a desaparecer do seu dial (ou de seu serviço de streaming – para ser mais moderno), relembramos abaixo os dez maiores artistas de 1997 e que fim cada um deles tomou.

1997 foi o melhor ano da música brasileira?

Deborah Blando

O terceiro disco de estúdio de Deborah Blando, “Unicamente”, lançado em 1997, trilha da novela “A Indomada”, foi um dos maiores sucessos de venda daquele ano. A faixa título falava sobre natureza e tinha como refrão os versos chicletes: “Raioooou o Sol / Que Haja Luz no Novo Dia / A Voz da Fé / É a Sombra Que Te Guia / Eu Vooooou Buscar / No Silêncio do Teu Mar / Linda Sereia / Odoia, Iemanjá”. Mas no início dos anos 2000, Deborah sumiu da mídia. Recentemente, ela revelou que só agora conseguiu se livrar do vício em álcool, drogas e remédios contra depressão, síndrome do pânico e ansiedade. Ela ensaia um retorno aos palcos. Os fãs agradecem.

Bragadá

Antes de virar uma boy band baiana de Axé, o Braga Boys se chamava Bragadá. Nas rádios brasileiras, a faixa mais tocada era “Buribai”, hit das aulas de lambaeróbica nas academias. Foi só em 2000 que eles mudaram de nome para Braga Boys e lançaram “Bomba” que (perdoe o trocadilho) explodiu nas rádios. A partir de 2003, todos os antigos integrantes deixaram o grupo. O Braga Boys, no entanto, segue na ativa ainda hoje com novos integrantes e shows esporádicos na Bahia, principalmente durante o carnaval, além de participações especiais no “Ding Dong”, do Faustão.

O Surto

Nunca uma descrição da Wikipédia sobre uma banda foi tão acurada quanto esta: “O Surto foi uma banda brasileira de rock que ficou conhecida nacionalmente pelo sucesso da canção ‘A Cera'” (Ponto final). É preciso escrever mais alguma coisa? A faixa mais famosa do grupo só foi lançada em 2001, mas as bases para todo o sucesso nacional começaram em 1997, quando O Surto lançou seu primeiro disco e firmou-se como promessa do rock. É uma pena a banda ter ficado só na promessa mesmo, porque com a morte de Chico Science em 1997, muitos críticos consideraram o grupo cearense como herdeiros legítimos do Manguebeat. Em 2001, eles se apresentaram no palco Mundo do Rock in Rio e cantaram uma hilária versão de “Californication”, do Red Hot Chili Peppers, batizada de “É triste mas eu não me queixo”. O término do Surto ganhou ares ainda mais melancólicos se lembrarmos o título de seu último álbum, de 2007: “De Onde Foi Que Paramos Mesmo?”. Se eles não sabem, ninguém mais saberá.

Grupo Malícia

Ah, o pagode romântico, este ritmo inconfundível, com suas letras melosas e coreografias cafonas… Do estilo, muitas bandas se destacaram no cenário nacional, como Katinguelê, Soweto e Art Popular. Mas em 1997 o grupo que bombava era o Malícia, com o hit “Sentinela”. Infelizmente, o sucesso não passou disso e, embora tenha lançado outros dois discos nos anos seguintes (o último é de 2003), o ostracismo o alcançou. Quer a prova? Nem verbete na Wikipedia o grupo tem.

Virgulóides

Se a banda de rock Virgulóides, formada em 1997, não vingou, pelo menos em um aspecto ela conseguiu se perpetuar: o nome mais bizarro. Eles fizeram sucesso logo no disco de estreia, batizado de “Virgulóides?”, com o hit “Bagulho no Bumba”. O segundo e o terceiro álbuns, lançados em 1998 e 2000 não chegaram nem perto do sucesso do primeiro e a banda se desfez. Antes, no entanto, eles conseguiram tocar no Rock in Rio, em 2001. Em 2012, eles tocaram na Virada Cultural de São Paulo e prometeram um retorno definitivo. Estamos aguardando…

Fincabaute

O que significa a palavra Fincabaute até hoje é um mistério insondável. Dizem por aí que seria um trocadalho com a palavra “Think About”. Embora não tenha sido formada em 1997, o grupo ganhou notoriedade nacional naquele ano, quando lançou o álbum “Coisa de Maluco”, sucesso incontestável no programa “Planeta Xuxa”, da Globo. Recentemente, assim como o Braga Boys, a banda também foi convidada para participar do programa “Ding Dong”, do Faustão. Ao todo, foram lançados apenas três discos. O último, do ano passado, tem o sugestivo nome “De Volta Para o Futuro”. Talvez fosse melhor se tivesse batizado como “De Volta para o Passado”.

Vinny

As madeixas loiras e a voz grave de Vinny não saíam da programação da MTV em 1997. Foi naquele ano que o cantor lançou o clássico “Heloísa Mexe a Cadeira”. Dá para afirmar, com uma margem de erro de 0,01%, que há 20 anos toda a população brasileira sabia cantar a música. Depois disso, Vinny não conseguiu emplacar mais nada e desapareceu. Recentemente, o humorístico Porta dos Fundos fez um vídeo em que mostra onde o contar esteve este tempo todo. No vídeo, Vinny surge de dentro de uma espinha no rosto de uma mulher. No final da esquete, ele ainda brinca: “E vocês não sabem quem ainda continua lá dentro, o cantor Maurício Manieri”.

Vanessa Rangel

O álbum de estreia de Vanessa Rangel, de 1997, vendeu 250 mil cópias. Número suficiente para fazer a cantora abandonar a carreira de advogada e se dedicar à música. A canção “Palpite” caiu no gosto popular após entrar na trilha sonora da novela “Por Amor”, da Globo, e ficar entre as 100 mais tocadas do Brasil naquele ano. Há quem diga que o ostracismo dela começou após a regravação de “Palpite” feita pelo grupo baiano Terra Samba, em ritmo de axé. Pode ser. O fato é que depois disso Vanessa sumiu. Ela até lançou um segundo álbum, em 2000, mas só vendeu 25 mil cópias. Fora do show bussiness, ela voltou ao Direito e hoje trabalha como servidora pública federal. Achá-la não é fácil, por isso não adicionamos nenhuma foto recente, já que ela não tem site oficial, perfil no Facebook, no Instagram ou no Twitter. Vanessa, realmente, sumiu!

Patricia Marx

Patricia Marx é uma promessa da música brasileira desde 1983, quando ganhou notoriedade nacional ao participar do grupo infantil Trem da Alegria. Ela cresceu, (de novo, desculpe o tracadilho) e o trem descarrilou. Ao contrário dos outros artistas citados, em 1997 Patrícia estava nos estertores da carreira. Seu auge ocorreu em 1994 com “Espelhos D’Agua” e “Quando Chove”, que entrou na trilha sonora da novela “A Viagem”. Em 1997 ela lançou “Charme do Mundo”, seu álbum que vendeu menos (20 mil cópias). Assim como diz a letra de Quando Chove: “A vida é assim / Nosso espelho se quebrou / É hora de se guardar”, Patrícia sumiu da mídia. Recentemente, em entrevista ao UOL, ela contou que está dando aulas de música e preparando uma autobiografia. Ela ainda negou estar “na pior”. “Minha música não tem a ver com o que faz sucesso no rádio”.

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