14/12/2017

Políticos promovem boicote após beijo gay em ‘Babilônia’

Por Felipe Branco Cruz

O beijo lésbico logo na estreia do primeiro capítulo da novela “Babilônia”  repercutiu tanto na audiência como na política. Diversos políticos, liderados por Marco Feliciano e Silas Malafaia, assim que souberam da cena iniciaram campanhas para boicotarem a obra.

O principal argumento apresentado pelos parlamentares é o de que a novela pode acabar com a família brasileira. Trata-se de uma justificativa tão atrasada quanto errônea. Além disso, críticas desta natureza já foram usadas contra grandes clássicos como “Madame Bovary”, de Gustave Flaubert e “Lolita”, de Vladimir Nabokov, e nem por isso o mundo acabou.

A melhor resposta, no entanto, para estas críticas foi a do site humorístico Sensacionalista. O site publicou: “Se você não gosta de beijo gay, basta não beijar um gay”. Simples, direto e eficiente.

O descalabro do boicote foi tanto que, na última semana, Marco Feliciano iniciou outro ataque. Desta vez a vítima foi a empresa Natura porque a marca de cosméticos seria uma das maiores patrocinadoras da novela. O parlamentar disse que o silêncio dos evangélicos “às vezes custa nossos valores”.

Mais uma vez, a reação na internet foi de deboche. Nas redes sociais, as pessoas disseram que Marco Feliciano quis o boicote porque o bastão de seu batom Natura quebrou e ele precisava de um motivo para atacá-la.

Embora a atitude de Feliciano seja completamente descabida, ele só a tomou porque encontra eco entre seu eleitorado. Portanto, mais do que fazer piada sobre a ação do parlamentar, deveríamos refletir para onde o Brasil está caminhando. Atitudes como essas podem prejudicar a liberdade de expressão? Podemos nos transformar em um Rússia, que tem leis homofóbicas?

A atitude de Feliciano teve como respaldo a Frente Parlamentar Evangélica, presidida pelo tucano João Campos. Recentemente, eles divulgaram uma nota dizendo que a novela tem a intenção de “afrontar os cristãos”, ressaltando que as atrizes tem 85 anos de idade.

Para finalizar, uma lista divulgada recentemente apontou 397 empresas que apoiam a diversidade sexual. Caso o parlamentar queira também boicotá-las, provavelmente ele terá que viver como um Amish do meio-oeste americano. São elas: Apple, Coca-Cola, Walt Disney, Visa, American Express, Delta, Xerox, Microsoft… Ou seja, praticamente todas as maiores empresas do mundo.

Assista ao vídeo:

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