15/12/2017

Quem é a cantora panamenha, filha de brasileira, que compôs Despacito

Em casa, quando ainda morava com a mãe, na Cidade do Panamá, na América Central, a cantora e compositora Érika Ender, 42, só falava português e ouvia Maria Bethânia, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Dorival Caymmi. No cardápio de sábado, a comida, é claro, era feijoada. É desta mistura entre a cultura latino-americana com a música brasileira que vem boa parte da inspiração da artista.

É dela, em parceria com o cantor porto riquenho Luis Fonsí, o hit mais tocada em todo o mundo atualmente, “Despacito”. Érika vive na Flórida, nos Estados Unidos, e, embora pouco conhecida no Brasil, ela é muito famosa na América Latina e foi eleita recentemente pela “Forbes” com uma das mulheres mais poderosas da América Latina.

Filha de mãe baiana e pai panamenho, Érika disse que boa parte da coreografia insinuante, do ritmo sensual e da melodia irresistível de “Despacito” veio do Brasil. “O latino tem muita sensualidade e o brasileiro também tem isso na veia. O reggaeton está conquistando o mundo”, disse ao UOL em português fluente.

Para se ter ideia do sucesso de “Despacito”, basta lembrar que o hit é a primeira música em espanhol a chegar ao 1º lugar da “Billboard Hot 100” em 20 anos, desbancando “Macarena”. No YouTube, o clipe da música, com Luis Fonsí, já foi visto mais de 1,7 bilhões de vezes.

No Brasil

Érika está no país para divulgar sua versão mais “despacita” (lenta em espanhol) do hit “Despacito”, tocada ao piano e com uma pegada mais romântica porém igualmente sensual. “Queria fazer uma versão bem minimalista para as pessoas prestarem atenção na letra. Ficou chique”, brincou.

Sobre a parceria com Fonsi, Erika contou que um de seus objetivos ao compor é não fazer letras que possam denegrir as mulheres. “Fizemos uma letra que não é agressiva com a mulher, como ocorre com alguns reggaetons”, afirmou. “Mas não sei dizer porque a música virou esse sucesso. O universo conspirou a nosso favor”.

A faixa foi composta em apenas quatro horas, numa tarde em Porto Rico, na casa de Luis Fonsí. “Sentamos para tomar um café, botar o papo em dia. Fonsí queria fazer uma música com a palavra ‘despacito’ e juntos fomos criando a melodia e a letra”, lembrou.

Parceria com sertanejo

Erika tem 25 anos de carreira, principalmente no mercado latino, onde compõe em inglês e espanhol. Mas o português também está presente.

Em 2003, ela escreveu para o cantor sertanejo Leonardo a letra de “Quero Acender Teu Fogo”, que fez um relativo sucesso na época. “Algumas músicas também entraram na trilha sonora de novelas brasileiras exibidas aqui na Globo Internacional. Mas minha energia está focada mesmo no lado hispano-americano”, explicou. Em seu disco de estreia, “Abreme la Puerta” (2004), ela também chegou a fazer versões em português de cinco músicas autorais.

A cantora lamenta apenas a barreira do idioma que dificulta a entrada das músicas latinas no Brasil. “O mercado brasileiro é muito diferente do latino. A letra tem que ser cantada com naturalidade, tanto em português quanto em espanhol. Se tiver sotaque, fica estranho. No Brasil, meu sonho é cantar com o Roberto Carlos. Quem sabe um dia?”.

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