21/09/2018

The Who no Brasil: Cinco motivos irresistíveis para não perder esse show

Por Felipe Branco Cruz
Publicado originalmente no UOL em 04/02/2017

A banda britânica The Who vai finalmente saldar uma dívida histórica com os fãs brasileiros: pela primeira vez, o grupo formado em 1964 se apresentará por aqui. Pelo menos é o que disse o empresário Bill Curbishley à rádio BBC de Londres. Segundo ele, o The Who virá ao país em setembro para fazer três shows, além de passar ainda por Chile e Argentina.

Uma das bandas seminais do rock, o The Who inaugurou o conceito de ópera-rock, com álbuns em que uma música complementava a outra, como se estivesse contando uma história. Os discos “Tommy” (1969) e “Quadrophenia” (1973) são emblemáticos.

O The Who ficou junto entre 1964 e 1985, quando encerrou as atividades. Em 1999 eles anunciaram um retorno e, desde então, os integrantes remanescentes Roger Daltrey (vocal) e Pete Townshend (guitarrista) seguem em turnê.

E para ocupar os lugares que já foram de Keith Moon, John Entwistle e Kenney Jones, os integrantes remanescentes convocaram o baixista Pino Pallodino, o tecladista Mick Talbot e o baterista Zak Starkey, filho do beatle Ringo Starr.

Pete e Roger não são adeptos de novidades, portanto seus shows agradam aos fãs que gostam de ouvir as músicas da maneira como foram compostas. No ano passado, por exemplo, eles fizeram um show revisitando a própria história em um repertório formado só por clássicos.

Para abril deste ano está prevista uma turnê de cinco apresentações no Reino Unido, onde a banda fará uma performance ao vivo tocando na sequência todas as músicas do álbum “Tommy”. Ainda não se sabe como serão os shows no Brasil, mas ainda assim há motivos suficientes para não perdê-los.

Cinco motivos para não perder o show

Primeira vez no Brasil

Esse, por si só, já é um grande motivo. O Brasil já recebeu grandes bandas de rock (ou, pelo menos, integrantes delas), mas a exceção sempre foi o The Who. São 53 anos de estrada e zero passagem por aqui. Além de ter um peso emblemático para os brasileiros, o show do The Who vale cada centavo, seja pela vivacidade de seus dois integrantes remanescentes, seja pelo excelente repertório.

Um dos melhores guitarristas do mundo

Assistir a um show do The Who é a oportunidade única de ver ao vivo um dos melhores guitarristas do mundo em ação. Pete Townshend já era reconhecido como um guitar-hero muito antes de Jimi Hendrix fazer sucesso. Um dos fundadores do The Who e principal compositor, mesmo em carreira solo, quando a banda se separou, ele produziu singles mundialmente famosos como “Rough Boys”, “Face The Face” e “A Friend is A Friend”.

Criadores da ópera-rock

Tudo bem, a afirmação é controversa, mas o álbum “Tommy” é frequentemente apontado como o precursor da ópera rock. E, senão eles, ao menos foi o disco que popularizou o gênero. Foi por causa dele que bandas como Pink Floyd, com “The Wall”, David Bowie, com “The Rise and Fall of Ziggy Stardust”, e até “Green Day”, com “American Idiot”, lançaram suas próprias óperas rock. “Tommy”, quarto álbum duplo de estúdio do grupo, conta a história fictícia de Tommy Walker, um menino traumatizado pelo testemunho do assassinato de seu pai pelo amante da mãe. O trauma deixa o garoto cego, surdo e mudo, mas o transforma em um campeão de pinball. O enredo é repleto de crítica social e muita psicodelia. Quatro anos depois, o The Who lançou sua segunda ópera rock: “Quadrophenia”, sobre o jovem Jimmy Cooper que sofre de implacável e generalizada rejeição.

Homenagem à própria história

No ano passado, o The Who foi atração do Desert Trip, chamado também de “festival do século”, que reuniu Paul McCartney, Bob Dylan, Rolling Stones, Roger Waters e Neil Young na California. A banda apresentou um show que revisitou a sua própria história, com um repertório formado só por clássicos, como “Baba O’Realy”, “I Can´t Explain”, “My Generation”, “The Kids Are Alright”, “Who Are You” e “The Seeker”. Para completar, os telões traziam informações sobre a história da banda, como a data de aniversário de John Entwistle (ex-baixista da banda, que morreu de overdose em 2002) e o currículo dos atuais integrantes.

Apresentação crua

Esqueça fogos de artifício, efeitos especiais, balões ou qualquer outro truque que não seja o rock and roll cru. No palco, Roger Daltrey e Pete Townshend seguem fazendo muito bem o que fazem há mais de 50 anos: show de rock. Não é exagero afirmar que os dois dão o seu melhor, com impressionantes solos de guitarra e agudos afinados. O The Who é uma das poucas bandas que não precisa de nada além de guitarra, baixo, bateria e voz para levantar a plateia.

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